Setenta Anos, Setenta Destinos: A Jornada de Uma Vida Pela Estrada

Aos 70 anos, muitas pessoas acreditam que é hora de desacelerar, descansar e viver de lembranças. Mas para Helena, moradora de Belo Horizonte, a vida estava apenas começando, ou melhor, recomeçando.


Viúva há alguns anos e com os filhos já independentes, ela decidiu transformar um sonho guardado no fundo do coração em um projeto de vida: conhecer setenta destinos diferentes, um para cada ano vivido.

O que começou como uma ideia despretensiosa se transformou em uma jornada emocionante de descobertas, amizades e histórias, capazes de inspirar qualquer pessoa a nunca desistir de viver intensamente, não importa a idade.

O Nascimento de um Projeto Inusitado

A ideia surgiu em um almoço de domingo, quando um dos netos perguntou:

“Vovó, quantos lugares a senhora já visitou na vida?”

Dona Helena fez as contas mentalmente e percebeu que, apesar de já ter viajado bastante, ainda havia muito mundo a explorar. Foi então que nasceu o plano: para celebrar cada ano de vida, ela visitaria um destino diferente, no Brasil ou no exterior, até completar a marca de setenta viagens.

Ela anotou a lista em um caderno, separando lugares que sempre quis conhecer e outros que descobriu por indicação de amigos e viajantes que conheceu pela internet.

O primeiro destino do projeto foi Ouro Preto, em Minas Gerais. Apesar de ficar a poucas horas de sua casa, Dona Helena nunca havia explorado a cidade com calma. Ela se hospedou em uma pousada histórica, visitou igrejas barrocas, conversou com artistas de rua e provou a comida mineira feita no fogão a lenha. Foi de fato uma vivência marcante e cheia de delícias.

Essa primeira experiência foi transformadora. Não apenas pela beleza do lugar, mas porque provou a si mesma que era possível viajar sozinha, planejar cada detalhe e se sentir segura. “Foi como abrir uma porta que ficou fechada por muito tempo”, ela recorda.

Ao longo dos anos, Dona Helena percorreu cidades e paisagens que jamais imaginou conhecer. Alguns exemplos que ficaram gravados na memória:

Lençóis Maranhenses (MA): onde caminhou descalça pelas dunas e se banhou nas lagoas cristalinas, sentindo-se parte da natureza. Conta que nada se compara a beleza daquele lugar, sem dúvida voltaria mil vezes mais.

Paraty (RJ): onde participou de um festival literário e conheceu autores que admirava desde a juventude. Acostumada a ler boa literatura desde a mocidade, esse sem dúvida foi um lugar encantador.

Chapada dos Veadeiros (GO): onde fez trilhas leves, mas suficientes para lhe mostrar que a idade não era um limite para estar em contato com a aventura.

Lisboa (Portugal): onde provou pastéis de nata recém-saídos do forno e se emocionou ao visitar a Torre de Belém, lembrando histórias que o pai contava sobre os portugueses. Esse era um sonho antigo que teve a possibilidade de realizar.

Cada destino tinha sua própria história e deixava uma marca única em seu coração.

Mais do que “colecionar” lugares, Dona Helena transformou sua jornada em uma forma de conectar-se com pessoas. Em cada destino, ela fazia questão de conversar com moradores locais, ouvir histórias e aprender sobre tradições.

Em Salvador, por exemplo, participou de uma aula de culinária baiana e aprendeu a fazer moqueca de camarão com uma cozinheira de 82 anos. Em Florianópolis, foi convidada para uma roda de chimarrão por pescadores que conheceu ao caminhar pela praia.

Esses encontros tornaram suas viagens mais ricas do que qualquer foto poderia registrar.

Ao longo dessa aventura, Helena notou que algo mudava dentro dela. A cada novo destino, ela sentia-se mais confiante, mais viva e mais aberta ao inesperado.

O projeto também aproximou a família: os netos ajudavam a escolher os próximos destinos, os filhos se revezavam para acompanhá-la em algumas viagens, e até amigos de longa data começaram a se inspirar e a criar suas próprias metas de viagens.

Além disso, ela passou a documentar tudo em um blog, onde compartilhava dicas, fotos e relatos, ajudando outros viajantes da terceira idade a se sentirem motivados a explorar o mundo.

Após dezenas de viagens, Helena reuniu ensinamentos que carrega para a vida, e que fazem parte de qualquer jornada significativa, vem conferir:

A idade não é um limite, mas um convite para aproveitar o agora.

Viajar leve, de corpo e alma, torna o caminho mais agradável.

O verdadeiro valor de um destino está nas conexões humanas, não apenas nas paisagens.

Planejamento é importante, mas flexibilidade é essencial.

Cada viagem deixa marcas invisíveis que moldam quem somos.

Se a história de Helena despertou em você a vontade de criar uma meta de viagens, aqui estão algumas sugestões práticas, vale a pena observar cada uma delas e tentar por em prática antes de se aventurar:

Comece aos poucos: explore cidades próximas antes de partir para destinos mais distantes.

Defina um objetivo claro: pode ser número de destinos, tipos de experiências ou países a visitar.

Mantenha registros: escreva, fotografe e documente sua jornada para reviver as memórias.

Invista em segurança e conforto: escolha hospedagens confiáveis e transporte adequado à sua idade.

Permita-se mudar o roteiro: às vezes, o melhor da viagem é aquilo que não estava planejado.

O destino número 70, que marcou seus anos de vida, foi Gramado, na Serra Gaúcha, escolhido não só pela beleza, mas pelo simbolismo: uma cidade charmosa, aconchegante e cheia de detalhes que encantam. Lá, Helena pode celebrar seu aniversário de 70 anos em um jantar especial, rodeada pela família, com direito a bolo, brindes e lágrimas de muita emoção.

Ela sabia que a jornada não terminaria ali. Apesar de ter alcançado a meta, continuaria viajando enquanto pudesse, porque descobriu que a estrada não é apenas um caminho para outros lugares, mas para dentro de si mesma.

A história de Helena nos lembra que nunca é tarde para realizar sonhos. Que a estrada está sempre aberta para quem tem coragem de dar o primeiro passo. Que cada destino, por menor que pareça, tem o poder de transformar.

Setenta anos, setenta destinos, mas, no fundo, uma única e grande jornada: a de viver plenamente.

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