Nunca é Tarde para Começar: A Primeira Trilha aos 72 Anos

Quantos sonhos você já deixou para depois, acreditando que a idade não permitiria realizá-los? Quantas ideias e planos foram simplesmente deixados de lado e ao olhar para trás você pode pensar: “já passou tanto tempo, não é mais possível fazer aquilo que tanto queria”, ou ainda “fiz tantas coisas na vida, mas esqueci de aproveitar um pouco” ou mesmo, “olhando minha vida, acho que não vivi como gostaria de ter vivido”.

Esses e outros pensamentos são mais comuns do que você pode imaginar, e tem o poder de nos levar para um lugar de arrependimento por aquilo que não fizemos ou não nos permitimos fazer. Mas diferentemente disso, ainda há aqueles que, mesmo em idade mais avançada, se recusam a deixar para depois esses planos e sonhos, se recusam a mais uma vez guardar para si esses desejos de vida, se recusam a não viver de forma plena, como um dia sonharam.


Nesse texto você vai conhecer a história de Dona Lúcia, uma mulher que provou que a coragem e a vontade de viver novas experiências não têm prazo de validade. Aos 72 anos, ela calçou um par de botas de trilha pela primeira vez e embarcou em uma jornada que mudou sua vida para sempre.

Quem é Dona Lúcia

Moradora de uma cidade tranquila no interior de Minas Gerais, Dona Lúcia viveu grande parte da vida dedicada à família e ao trabalho como professora. Assim como tantas outras pessoas, Dona Lúcia foi aos poucos abrindo mão de pequenos sonhos por achar que não deveria, não poderia ou não conseguiria.
Apesar de sempre ter apreciado a natureza, nunca havia participado de atividades como trilhas ou caminhadas longas, na verdade dificilmente saía de sua pacata cidade. “Eu via as fotos na internet e pensava: ‘Que lindo… mas não é para mim’”, conta ela.

A rotina era confortável para uma aposentada, porém extremamente previsível e sem brilho nos olhos: manhãs na feira, tardes lendo ou assistindo TV, e finais de semana com os netos. Até que um convite inesperado mudou tudo.

O despertar para a aventura

Segundo ela, foi em uma tarde de domingo que a amiga Marisa ligou com uma proposta ousada: “Lúcia, vai ter uma trilha curtinha no próximo sábado, na cidade vizinha. Vamos?”.
A primeira reação foi rir. Aos 72 anos, ela nunca havia feito nada parecido. Os pensamentos vieram rápidos:

  • “E se eu não aguentar?”
  • “E se eu passar mal no caminho?”
  • “E se eu atrapalhar o grupo?”

Mas em meio a tantos pensamentos de “e se” e das dúvidas que faziam seu coração acelerar, veio a lembrança de um passado distante: um caderno antigo, onde ela costumava anotar uma lista de desejos para a vida, que ela havia escrito por volta dos 40 anos. Entre eles, estava “ver uma cachoeira de perto” (sonho esse que já estava tão amarelo e empoeirado como esse pequeno caderno). E foi essa lembrança que fez Dona Lúcia dizer com convicção (ainda que com certo medo): “Eu vou”.

Determinada e de uma forma muito prática, ela marcou uma consulta com seu médico de confiança, que já a acompanhava fazia muitos anos, para ter certeza de que estava tudo bem com sua saúde. Como ela mesma falou, por causa de seus anos de vida e experiência, “com saúde não se brinca”. Seu médico não apenas liberou como a incentivou, sugerindo caminhadas leves nos dias anteriores para ganhar resistência.

Ela comprou um tênis confortável, um chapéu para se proteger do sol e uma pequena mochila com água e frutas. Juntamente com a amiga Marisa, escolheu uma trilha de nível fácil, com cerca de 3 km de extensão, ideal para iniciantes e pessoas da terceira idade.

O dia da trilha

O sol brilhava forte na manhã de sábado. Dona Lúcia confessou baixinho que na noite anterior sentiu até certa dificuldade para dormir, de tão animada que estava com a possibilidade de realizar um sonho antigo. As duas amigas saíram logo cedo pela manhã, já que teriam que viajar até a outra cidade para se encontrarem com o grupo. Foram de ônibus, uma opção barata e com boas acomodações. Durante todo o percurso, que levava em torno de 2 horas, as duas colocaram o papo em dia, relembraram de momentos marcantes do passado e fizeram novos planos. A alegria era perceptível, por vezes misturada a um saudosismo, que não ousava ficar muito tempo, dando logo lugar a animação e expectativa de novas aventuras.

Ao chegar ao ponto de encontro, Dona Lúcia viu pessoas de várias idades, algumas até mais velhas que ela. Isso trouxe alívio e motivação. Começou a perceber que, mesmo sendo aposentada, talvez não precisasse passar seus dias somente em casa, que existia um mundo lá fora e que muitas pessoas (de todas as idades) estavam aproveitando a vida.

No início, o coração batia acelerado, não só pelo esforço, mas pela ansiedade. O som dos pássaros, o cheiro da terra úmida e a brisa leve formavam um cenário perfeito. Não se lembrava de já ter ido tão longe assim de casa. Disse sentir um misto de alegria, excitação e certo medo do desconhecido, tanto do novo lugar que estava visitando e desbravando pela primeira vez, quanto da coragem interna recém descoberta.


A vista por todo o percurso era realmente deslumbrante e fez com que ela se sentisse viva novamente, aquele antigo “brilho no olhar” retornou, trazendo foça e energia para a caminhada. Em alguns trechos mais íngremes, precisou de pausas para respirar. Mas conta que em todos os momentos recebeu o apoio do grupo, que a incentivava com frases como: “Estamos juntos, você consegue!”. A amiga, claro, estava sempre ao lado, caminhando junto com Dona Lúcia e era, sem dúvida, a sua maior incentivadora.

Quando finalmente chegou à cachoeira, ficou em silêncio. Observou a água caindo com força e sentiu uma mistura de gratidão e orgulho. “Eu consegui”, pensou, com os olhos marejados. Marisa deu um abraço na amiga e disse à ela o quanto estava feliz e orgulhosa. Todo o grupo estava animado e não demorou para que caíssem na água. A final de contas, após uma bela caminhada, nada melhor do que um banho refrescante.

Dona Lúcia a principio resistiu um pouco à ideia, mas logo depois pensou: “se cheguei até aqui, não custa nada ir um pouquinho além”, e então, incentivada pela amiga, também caiu na água. Conta que nunca tinha experimentado uma sensação tão boa como aquela, sentia como se os anos não tivessem passado, como se ainda fosse uma jovenzinha com toda a vida pela frente. Naquele momento fez uma pequena oração, agradeceu por essa incrível experiência e pensou que, assim como aquelas águas desciam do alto da cachoeira e seguiam corredeira abaixo, também queria que seus medos e temores, que tanto a limitaram na vida, pudessem seguir o caminho das águas e deixá-la viver, a partir daquele momento, de uma forma mais livre e leve.

A experiência trouxe mudanças que Dona Lúcia nunca poderia ter imaginado. Ela conta que passou a caminhar regularmente no parque próximo de casa, perdeu alguns quilos, ganhou mais disposição e até melhorou o sono e o humor. Fez novas amizades e redescobriu a alegria de viver.

Mas a maior transformação foi de fato interna: percebeu que muitas das barreiras e limitações que acreditava existir estavam apenas na sua mente, fruto de seus pensamentos. Hoje, ela já fez outras três trilhas e sonha em viajar para visitar parques nacionais por todo o Brasil.

Mas assim como Dona Lúcia, se você está lendo essa história e sente que deixou seus sonhos para trás por conta da idade, lembre-se: cada fase da vida traz novas possibilidades. Não é preciso começar com grandes aventuras, uma simples caminhada ao ar livre pode ser o primeiro passo. A experiência da Dona Lúcia faz questão de nos lembrar que: uma longa caminhada (ou mesmo uma trilha) começa com um pequeno passo de cada vez.

O importante é dar esse passo hoje. Como diz Dona Lúcia:

“Não espere estar mais jovem, mais magro ou mais preparado. O momento perfeito é agora.”

A história de Dona Lúcia prova que nunca é tarde para começar. Aos 72 anos, ela descobriu que ainda havia muito mundo para ver, fazer, muitos desafios para vencer e muitos sonhos para viver.

E você? Em que lugar desse enorme Brasil a sua “primeira trilha” está esperando?
Compartilhe essa história com alguém que precisa de inspiração e, quem sabe, seja você o próximo a dizer: “Eu consegui!”

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