Há quem diga que viajar é um luxo, mas para Alice, tornou-se um remédio. Depois dos 65 anos, quando muitos esperam que a vida desacelere, ela descobriu que viajar poderia, na verdade, estimular a ter mais movimento. As viagens não foram apenas um passatempo, elas mudaram a relação com ela mesma, com seu corpo e com sua mente.
Quando decidiu sair da minha zona de conforto e embarcar na minha primeira viagem de aventura para a terceira idade, não imaginava que voltaria para casa não só com lembranças, mas também com mais saúde, disposição e alegria de viver.
O início da jornada
A aposentadoria trouxe tempo livre, mas também um certo vazio. A rotina repetitiva começou a pesar e começou a perceber sinais de ansiedade e tristeza que antes ela não conhecia. Foi nesse momento que ouviu de uma amiga:
“Talvez a única coisa que você precisa seja um bilhete de avião.”
Essa frase a acompanhou por semanas, até que resolveu tentar. Escolheu um destino simples, uma cidade histórica próxima, mas que prometia novas experiências. Ela queria se testar, ver até onde podia ir.
Logo nos primeiros dias percebeu algo curioso: a sua mente estava mais leve, parece que os pensamentos estavam mais tranquilos e amigáveis. A sensação de acordar em um lugar diferente, com novos cheiros, sons e paisagens, parecia “resetar” seus pensamentos.
Conta que para ela, parece que viajar estimula o cérebro de diversas formas, novas rotas, novos idiomas, desafios pequenos como pedir informação ou experimentar um prato desconhecido. Isso não só aumenta a sensação de realização, mas também combate a monotonia, uma grande vilã muito presente desde que entrara na terceira idade.
Talvez o que mais a tenha surpreendido foi perceber que ela estava se exercitando sem nem notar. Subir escadarias de igrejas antigas, caminhar por trilhas leves, explorar mercados locais… tudo isso movimentava músculos, coisa que ela não costumava fazer no seu no dia a dia.
Muitos de nós temos ouvido desde a infância que atividades físicas regulares ajudam a prevenir doenças crônicas, melhoram a circulação, fortalecem o coração e mais incontáveis outros benefícios. Porém nem sempre se coloca esse conhecimento em prática, e Alice percebeu que descobriu isso ao viajar: “ao voltar para casa, minhas pernas estavam mais firmes e minha disposição para atividades do dia a dia aumentou”.
Conta que em uma viagem pelo sul do Brasil, conheceu Dona Irene, de 74 anos, que viajava sozinha em uma van adaptada. Ela contou que, após perder o marido, decidiu “rodar o mapa” para se reencontrar. Sua coragem inspirou Alice profundamente, percebeu então que nunca é tarde para reinventar a vida.
Profundamente afetada pelo que havia aprendido com Dona Irene, Alice ao viajar pelo litoral nordestino, aceitou o convite de um grupo para fazer uma trilha leve. No começo, temeu não acompanhar o ritmo, mas, ao final, a sensação de vitória foi tão intensa que entendeu: “muitas das nossas limitações estão apenas na nossa cabeça”.
Ao retornar para casa, Alice percebeu algumas mudanças que foram muito significativas em sua vida, principalmente na forma como lida com seus pensamentos e emoções e também com reflexos em seu corpo, tais como: diminuição do estresse, melhora na sua memória e criatividade, na autoestima e confiança, mais resistência física e melhora na coordenação e equilíbrio.
De fato sabemos que idosos que se mantêm ativos social e fisicamente vivem mais e com melhor qualidade de vida. E poucas atividades combinam tão bem esses dois elementos quanto viajar.
Se de alguma forma você se identificou com Alice e também planeja se aventurar, segue algumas dicas muito importantes para antes e durante a viagem: consulte seu médico e faça um check-up, pesquise sobre o clima e prepare roupas adequadas, informe-se sobre a acessibilidade dos locais, hidrate-se bem,
inclua pausas para descanso entre passeios e mantenha uma alimentação equilibrada, mesmo experimentando novos pratos.
Para deixar esses momentos ainda mais memoráveis e gratificantes, vale a pena pensar também em sempre buscar experimentar algo novo a cada destino (um prato, um passeio, uma conversa), tirar bastante fotos, mas também reservar momentos para apenas observar e escrever um diário de viagem, isso ajuda a guardar memórias e exercitar a mente.
Muita gente sempre diz: “Queria viajar, mas não tenho condições físicas ou financeiras”. A boa notícia é que nem sempre é preciso ir longe. Pequenas escapadas para cidades próximas já trazem benefícios. Dicas práticas:
Comece pequeno: um bate-volta ou final de semana já renova a energia.
Planeje com antecedência: escolha destinos com boa infraestrutura para idosos.
Respeite seus limites: opte por atividades compatíveis com sua condição física.
Viaje em grupo: além da segurança, o convívio social amplia a experiência.
Antes das viagens, eu Alice se via como uma pessoa “na fase de desacelerar”. Hoje, se vê como alguém que ainda tem muito a explorar e conquistar. Descobriu que a sua saúde não é apenas resultado de remédios e consultas, mas também de experiências que alimentam a alma.
Viajar a ensinou que não é preciso esperar por grandes acontecimentos para mudar de vida, basta dar o primeiro passo fora da porta.
Hoje, consegue dizer com toda certeza: “minhas viagens foram tão importantes quanto qualquer outra coisa que já fiz. Elas me devolveram a vitalidade, me ajudaram a manter a mente ativa e fortaleceram meu corpo”.
Se você está lendo este texto e se perguntando se ainda vale a pena começar, a resposta é simples: vale, e muito. Porque cuidar da saúde é também cuidar dos sonhos, e eles não têm prazo de validade.



